Emoções & Sentimentos


Rezei pra São João, Meriti…

13/10/2015 14:23

Sérgio Roberto Serafim, nascido em Madureira mas criado em São João de Meriti já passou por quase tudo nessa vida. De origem pobre, mas com inigualável nobreza sentou com os grandes e tornou-se um grande compositor

Ninguém faz samba só porque prefere, já dizia João Nogueira. É preciso estar com o coração e a alma preparados para receber a tal da inspiração. Ela chega de repente e invade a mente do compositor. Serginho Meriti é um desses  seres abençoados com o poder da criação. Compor música é seu dom.

De onde cê vem? Que é que cê tem? Quanto vale? Cê conhece quem?.  Pois é, Serginho vem lá das bandas da Baixada Fluminense. Os números de suas composições são absurdos. O Dicionário de Música Popular Brasileira, de Ricardo Cravo Albin, traz uma extensa lista da obra desse carioca que sempre teve ótimos bons parceiros como Franco, Marquinhos PQD, Guará, Beto Sem Braço. “Nasci em Madureira. Era para ser imperiano, escola que tenho respeito muito grande, mas sou mangueirense. Meu pai, Felesbino Antonio Serafim  tocava violão e gostava muito de cantar seresta. Dona Nair Antonio de Oliveira, minha mãe. Mineira. Adorava cantar. Sempre me deu muita força”, declara.

Eclético, Meriti teve suas composições gravadas por grandes nomes da música popular brasileira. Quem,  com mais de 40 anos, não se lembra  da clássica Negra Angela na voz de Neguinho da Beija-Flor.  E a vida foi levando Serginho para outros sons. Em 1981 o paulistano Bebeto gravou no suingado disco Batalha  Maravilhosa nada menos que 11 canções de Meriti, com destaque para Monalisa. “Tive a felicidade de gravar com quase todos os grandes cantores, mas divido minha carreira em duas partes, antes e depois de conhecer Beto Sem Braço. Laudemir Casemiro, o Beto Sem Braço, era um compositor antológico de samba enredo. Já havia ganhado alguns sambas enredos. Eu morava em Guadalupe, e o Beto tinha chegado de Angola  e estava fazendo uma festa no Grajaú, na casa de Martinho. Fui pra lá  e fiquei exatos um ano e oito meses. Beto, realmente, deu impulso à minha carreira”, relembra. 

Rezei pra São João, Meriti
/ Quando desci lá em, Japeri
/ As crianças com sede de amor /
Os crescidos com ódio e rancor /
Essa gente que e Zona Sul
/ Prefere se esquecer de Bangu
/ E a ilusão se renova Iguaçu /
Uma imensa mansão, Morumbi
/ Pau a pique e no Piqueri (…)  Os versos dessa canção não são de Serginho Meriti, São do paulistano Grupo Sensação, mas servem para ilustrar a relação que esse carioca tem com São Paulo, cidade que adotou e que decidiu morar. “Costumo dizer que pode ter um carioca que goste de São Paulo igual a mim, mas mais do que eu não tem não”. Sua relação com o Samba da Laje, no bairro de Vila Santa Catarina, zona sul da cidade, rendeu até um samba em homenagem  a esse reduto de pagodeiros.

E, agradecendo ao destino que Deus lhe deu, Meriti criou, recentemente, Vida que Segue, samba que dá título ao mais novo trabalho de Zeca Pagodinho. Os versos traduzem, com emoção, o pensamento desse artista que, se não tem tudo o que precisa é feliz e de mansinho ocupou seu espaço. Fazer o que, xará? /É vida que segue / é tanta luz que nasce na escuridão / mas se eu consegui você também consegue / consegue sim, o impossível é possível, por que não?

Fran Oliveira



 

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