Emoções & Sentimentos


O Samba de São Paulo

06/08/2016 23:00

Adoniran Barbosa

João Rubinato um nome que merece o nosso reconhecimento. Estamos falando de Adoniran Barbosa, cantor, compositor, humorista e ator. Sétimo filho de uma família de imigrantes italianos, nascido em Valinhos em 6 de agosto de 1910,na infância trabalhou nos vagões da estrada de ferro e  como entregador de marmitas e varredor. 

Após tentativas frustradas abandona a idéia de ingressar no teatro como ator e inteligenteme aproveita a expansão do rádio e as três possibilidades de caminho que ele oferece ( ator, cantor ou locutor), para alavancar o início de sua carreira. Aos poucos se entrega ao papel de ator radiofônico; a criação de diversos tipos populares e a interpretação que deles faz, em programas escritos por Osvaldo Moles, fazem do sambista um homem de relativo sucesso é a partir desses programas que o grande sambista encontra a medida exata de seu talento, em que a soma das experiências vividas e da observação acurada dá ao país um dos seus maiores e mais sensíveis intérpretes..  Na época o compositor era mero instrumento de trabalho para os cantores que era quem realmente faturava com a música, por isso Adoniram opta pela interpretação.

Adoniran tornou se um porta voz dos menos favorecidos, suas músicas são o retrato exato da situação vivida pelos despejados das favelas, os engraxates, a mulher submissa que se revolta e abandona a casa, o homem solitário, social e existencialmente solitário esses tipos  estão intactos nas criações de Adoniran, no humor com que descreve as cenas do cotidiano. A tragédia da exclusão social dos sambistas se revela como a tragicômica cena de um país que subtrai de seus cidadãos a dignidade.

Adoniran não era exatamente um boêmio, como a maior parte das pessoas pensam, freqüentava os bares do seu querido “Bexiga”, mas antes de mais nada, era um observador agudo e um crítico social, como demonstram suas músicas, de crítica corrosiva como “Despejo na Favela”. Como é desoladora a sua afirmação: “Vou sair daqui para não ouvir o ronco do trator”. O trator que destruirá em minutos, o pouco ou quase nada, que essa gente conseguiu com tanto sacrifício. E não há a quem recorrer, porque a ordem para desocupar a favela, é “superior”. 3 SÃO PAULO A década de 50, em São Paulo, período em que Adoniran Barbosa compôs a maioria das suas músicas, constitui um tempo muito específico na história de São Paulo. É um período de mudanças e transformações, que alteram o aspecto físico da cidade. Ilustra bem esta afirmação Aroldo de Azevedo (1950, p. 153). Quando o oficial De justiça chegou Lá na favela E contra seu desejo Entregou pra Seu Narciso Um aviso, uma ordem De despejo, Assinada: Seu doutor, Assim dizia a petição: Dentro de dez dias Quero a favela vazia E os barracos todos No chão. É uma ordem superior O, o, o, o, Meu sinhô, É uma ordem superior Não tem nada não, Seu doutor Não tem nada não Amanhã mesmo Vou deixar Meu barracão Não tem nada não Seu doutor Vou sair daqui Pra não ouvir o ronco Do trator Pra mim não tem problema Em qualquer canto Me arrumo De qualquer jeito me ajeito Depois, o que eu tenho É tão pouco Minha mudança É tão pequena Que cabe no bolso de trás Mas essa gente aí, hein? Como é que faz? (Adoniran Barbosa)

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